26 julho, 2009

o que se faz

você chegou outra vez. pela segunda. de novo.
eu olhei, nada disse. tentei um gesto. tímido.
te chamei pra entrar. ofereci café. não? uma dose?
você sentou no meu sofá. ligou a tv. eu fiquei a te assistir.
outra vez! mais uma. as pessoas não mudam.
fiz o almoço. te chamei pra mesa. esqueci o sal.
você sempre tão doce. disse nada. mastigou e sorriu.
ah. que cabeça essa minha. bebe algo? suco? chá!
limpou os lábios enquanto eu lambia os meus. olhava os seus.
estava bom? bom. sempre bom. ah. as coisas não mudam.
pode ser que eu saia a tarde. tudo bem.
mentira. pra ver se você queria ou não
eu não soube entender sua cara. então, fiquei.
cara de lindo. ah. virando os olhos e piscando enquanto fala.
então eu fico. até a noite. janta aqui? ah, não sei... tímido!
ah... fica! ficou. o que você faz se não ceder a mim?
então eu faço tudo. com sal. açúcar e afeto. e chico no rádio.
faço a cama pra dois. só um travesseiro.
eu não esqueço. não te esqueço. tomo banho e vou pra cama fresca.
vou fresca. vou limpa.
não levo minhas marcas. aquelas. as suas. é pra ser do novo.
o que sou eu se não sua?

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