24 julho, 2009

as sete eu aos sete dias

são sete moças
todas eu cruas
divididas inteiras
desigualmente e nuas
às sete partes do corpo
sentam-se a beira do banco
à sarjeta
à rua

são comigo sete bolsos
moedas, papéis e palitos
papéis aguardam por mim,
mulheres e sete crianças guardam
me guardam
e outros papéis me gritam aflitos

são olhadas as sete moças
soam olhares e buzinas e alarmes
setessentas sem encantos
vidas moças tímidas vazias
que se espremem aos cantos

(chacoalham)

sete vezes as sete horas
em uma calçada pobre
uma rua suja e eu
a sua sétima e única sílaba
sã em sete notas musicais
a sua oníssona

são os sete dias sem cor
os sete gozos visuais


na calçada frente ao bar
às sete bebidas contra mim
e a sete belo a favor do hálito

somos sete aos sete dias

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