03 junho, 2009

da Clau 4

Sabe que eu não tenho mais puto pra aguentar tanta asneira. Essa gente me fode a vida. Não posso mais beber, fumar e meter que alguém me aparece dizendo que eu errada, que não devo, e alguns impõem que eu não posso. Não posso! O cara da mesa do lado me olha com cara de merda e quando eu pego o espelho me convenço do motivo. Essa maquiagem pesada, passada e repassada de uns 5 dias, esse cabelo mal lavado, mal passado e mal colocado na cabeça. A cabeça mal colocada no pescoço. O pescoço marcado de roxo. E o resto... E todo o resto desenha o que eu sou. É nessa cor que eu me conheço, é nela que eu desperto o que está perto de eu ser. Aí eu não consigo segurar a risada e tudo cria um ar mais identificado comigo mesma. A risada que me afoga mágoas, as mágoas que afogam a brisa boa do conhaque. O conhaque que me afaga e me afoga na língua deles como um exemplo de como não se deve ser.
Hoje eu queria só ouvir um blues e beber até vir a sensação depressiva cult solitária. Hoje eu queria rasgar minhas orelhas e meus lábios na frente deles pra ver as caras. Eu queria que eles passassem vergonha por mim, porque por mim a vergonha que se foda espelho a dentro. Ia começar leve, lento e ia ficando seco e frio. Até desbotar. Até perder a respiração e virar de lado.

Clau

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